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Enquanto a trégua não vem

Pegando carona com a Plebe Rude, banda fundamental do rock brasileiro fundada na capital federal em 1981, uma de suas músicas começa assim “capital da esperança, asas e eixos do Brasil, longe do mar, da poluição, mas um fim que ninguém previu”.

Ainda não tem como mensurar os estragos causados ontem em Brasília, estragos físicos, éticos e sociais que mancharam mais uma vez a nossa história. Alguns anos atrás integrantes do MST invadiram o congresso nacional e provocaram cenas de vandalismo e confronto com policiais, a reivindicação era celeridade na reforma agraria, reforma que até hoje não aconteceu e para piorar hoje o agronegócio tem grande influência nas esferas de poder.

Mas dessa vez foi muito mais grave, o ataque foi contra a democracia brasileira, radicalismo e vandalismo desmedido produzido por desmiolados, terroristas com dificuldades em aceitar o resultado das eleições sem nenhum fundamento legal plausível, somente teses para conspirações absurdas sustentadas por mentiras criadas em redes sociais.

A realidade é que o país está dividido e pior, parece que compramos uma cópia pirata do modelo norte americano de divisão política e de direitos civis onde tudo se resume entre conservadores e liberais, conceitos que se assemelham muito com a dualidade entre direita e esquerda. Aqui pelo visto só mudaram as cores, enquanto lá os conservadores gostam do vermelho, por aqui os que se julgam patriotas tem ódio da cor encarnada como diriam os mais antigos.

O presidente Lula sabia de tudo isso e já na transição foi alertado por Flávio Dino da necessidade de desmontar os acampamentos antes da posse, mas o Ministro da Defesa José Múcio blindou o movimento classificando-o como democrático. O grito dos lunáticos até então era que Lula não subiria a rampa do palácio, mas com Eduardo Bolsonaro assistindo a copa no Catar e a ida do ex-presidente para a casa do lutador José Aldo em Orlando os acampamentos nos quartéis foram em sua maioria enfraquecendo, aqui em São Luís inclusive foi encerrado. O clima foi de relaxamento e nem mesmo a mira ao contrário da arma futurista antidrone foi capaz de alertar o governo que Brasília não estava preparada para o que estava por vir.

A ala mais radical não desistiu do movimento, passou duas semanas mobilizando militantes apaixonados em todos os Estados. A busca era por aqueles dispostos a irem para o confronto na capital, a dar seu sangue pela pátria. Motivados por declarações como o “perdeu mané” do Ministro Barroso e a avacalhação sofrida nas redes sociais por orações em pneus, intervenção alienígena e principalmente por serem iludidos a  acreditarem que Deus tinha uma missão para eles, acabar com a ameaça do comunismo no Brasil. Mas só dava para lutar com todas as despesas pagas é claro. Quem lembrar um pouco das cruzadas vai saber que foram financiadas pela igreja e nobres ricos querendo mais terras na época, qualquer semelhança com as igrejas neo pentecostais e o agronegócio é mera coincidência.

Por outro lado a declarações do Ministro Flávio Dino alertando sobre a possibilidade do uso de força policial internacional para garantir a lei e a ordem no país e a atuação do cidadão maranhense, aprovado por UNANIMIDADE na Assembleia Legislativa do Maranhão, Anderson Torres na secretaria de segurança de Brasília  criaram um ambiente ideal para tudo o que aconteceu.

Depois do caldo derramado todos nós já sabemos os desdobramentos e medidas adotadas para expulsar e prender os terroristas arruaceiros, bem como a retirada do acampamento em frente ao QG do Exército que servia de refúgio para os golpistas. Sabemos também que o governo federal subestimou o movimento, temos um serviço de inteligência que é praticamente inoperante, a PRF sequer abordou um dos 120 ônibus com golpistas vindo de todo o Brasil, inclusive com pessoas armadas. O que não sabemos é o que ainda está por vir, uma vez que os lideres do movimento e financiadores estão livres, os palanques virtuais não foram desarmados, líderes políticos continuarão disseminando o discurso de ódio e narrativas mentirosas de ambos os lados.

Essa guerra já perdura décadas com os mesmos campos definidos e sempre ávidos por poder, o ideal seria um cessar fogo para a reconstrução do Brasil, mas pelo comportamento adotado dos tresloucados de verde amarelo nas redes sociais pelo visto ainda teremos muitos embates durante o governo vigente.

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