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O presidente Lula na cerimônia de assinatura do acordo para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial. Crédito: Ricardo Stuckert/PR

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Maranhão perde Parque Tecnológico Aeroespacial para a Bahia

Na última semana o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o acordo para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia, em uma cerimônia no SENAI CIMATEC, em Salvador. Este será o primeiro Centro Tecnológico dessa magnitude no Nordeste. O empreendimento só foi possível graças a uma parceria entre o Governo Federal, Governo da Bahia e SENAI CIMATEC.

Lula disse ainda que fará uma série de viagens pelo Brasil anunciando investimentos. No Nordeste, o presidente irá em Pernambuco participar da cerimônia de retomada das obras da refinaria Abreu e Lima. Já no Ceará, lançará a unidade regional do ITA, renomado Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

O Maranhão até vinha tentando timidamente trazer esses investimentos para o Estado, mas a ação ficou apenas na tentativa do quadro técnico da Universidade Federal do Maranhão que elaborou um projeto que englobava o curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA e a tentativa de trazer o ITA e o Parque Tecnológico Aeroespacial, mas ficaram isolados e sem nenhum apoio da nossa classe política.

Nossos senadores, Ministros nem e os nossos atuantes deputados federais se mobilizaram para a vinda desses importantes centros que reforçariam ainda mais o potencial do Estado tendo como alicerce o CLA de Alcântara.

Sobre o ITA, a escolha do Ceará é validada pelo número de alunos do Instituto oriundos do Estado. Nos últimos 10 anos foram 543 aprovados em um dos vestibulares mais difíceis do país. Já o número dos estudantes maranhenses que ingressaram no ITA é vergonhoso em comparação aos cearenses e ainda há quem exalte o desempenho da educação no Maranhão.

Sobre o Parque Tecnológico Aeroespacial, o Maranhão seria a escolha natural para receber esse investimento, afinal o CLA (CENTRO DE LANÇAMENTO AEROESPACIAL) fica aqui no estado e possui todas as condições favoráveis como a inegável localização geográfica que agrega o nosso complexo portuário, que além da conectividade com três ferrovias brasileiras já possui projetos que preveem a expansão para Alcântara.

Em conversa com este site, o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Estratégicos José Reinaldo Tavares lamentou a perda do Parque Tecnológico Aeroespacial para a Bahia, e disse que  “Alcântara poderá ser mais competitiva quando estiver desenvolvendo sua própria tecnologia”. O que pelo visto deve demorar bastante para acontecer com a perda do Parque Tecnológico para os baianos.

Criador da Frente Parlamentar de apoio ao CLA quando era deputado federal, Tavares conseguiu recursos na ordem de 60 milhões para UFMA, CLA e ITA com intuito implantar o curso de Engenharia Aeroespacial na UFMA, onde os diplomas seriam emitidos pela Universidade Federal do Maranhão e pelo ITA. Mas depois disso ele desconhece o que aconteceu além de alegar que o curso estagnou e que nunca foi seguido o que estava no convênio.

A verdade é que mais uma vez o Maranhão pecou pela omissão, pela ausência de projetos e principalmente pela falta de união da classe política. E o resultado é que a base aérea de Alcântara continuará servindo apenas como terreno de aluguel para países que investem de fato em tecnologia e nossos jovens utilizados como mão de obra de baixa qualificação profissional.

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