terça-feira, 21 abril, 2026

O cenário eleitoral do Maranhão já está definido depois da resposta de Carlos Brandão a Patrícia Carlo? Diria que não. O que houve, até aqui, foi a fixação de um quadro e não o desfecho.

Brandão dobrou a aposta. Fechou uma cena, não um ato. E, quando uma liderança fecha a cena, ela não encerra a peça; ela só controla a iluminação do palco por mais alguns minutos. Nesse intervalo, os demais personagens fazem o que a política sempre faz quando não há decisão final, ou seja, ocupam o proscênio, disputam a atenção do público e tentam transformar rumor em roteiro.

Eduardo Braide espreita como quem espera a deixa para entrar sem pedir licença. Felipe Camarão se movimenta como quem sabe que, em teatro político, quem demora demais perde o timing e vira figurante no próprio enredo. E os outros jogadores (partidos, candidatos a senadores e deputados, blogueiros, operadores, militâncias, “analistas” de plantão) não estão apenas comentando a peça, estão tentando reescrever o gênero. Uns querem transformar drama em comédia; outros vendem suspense; há quem aposte em tragédia e quem viva de fabricar bastidores como se bastidor fosse palco.

É aí que a metáfora do “cenário” ajuda a ver o essencial. O cenário não é só fundo; é dispositivo. O cenário organiza o olhar, limita as opções do que pode acontecer e sugere ao público o que é “natural” que aconteça. Na política, cenário é a moldura que faz uma hipótese parecer inevitável e outra parecer impossível. Por isso ele é disputado com tanta fúria, porque ganhar o cenário é ganhar, antes da eleição, o regime de verossimilhança, o que parece ser verdadeiro.

Mas quem decide o cenário real, o cenário que muda o tipo de peça e o próprio movimento na cena é o ato de ficar ou o sair de Brandão. Enquanto esse ato não se concretizar, tudo o mais é ensaio, marcação de palco, teste de elenco, disputa por posição no cartaz. Há cena de “paz”, cena de “distensão”, cena de “recado”, cena de “neutralidade”, cena de “aliança inevitável”, cena de “terceira via”, cena de “já ganhou”, cena de “já perdeu”. E quase todas têm o mesmo objetivo. No caso, forçar a realidade a caber num script conveniente.

Quando Brandão fecha uma cena, ele entrega um recorte: “por ora, é isso que vocês verão”. Só que o público, e, sobretudo, os outros atores, sabe que a cortina ainda não desceu. O teatro segue aberto, e o palco continua sendo disputado centímetro a centímetro. O que está em jogo, agora, é quem consegue fazer sua encenação parecer a própria realidade.

Porque, no fim, política é isso. O cenário não é apenas onde a história acontece. É parte da história. E, enquanto o protagonista não decide se fica no palco ou sai de cena, o restante do elenco ocupa o vazio com barulho, movimento e narrativa.

Brandão fechou uma cena. Mas não encerrou a peça. Ainda.

Prof. Xico

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