terça-feira, 12 maio, 2026

O Maranhão passou a viver um grande período de instabilidade, a partir de 2002, com a eleição de José Reinaldo para o governo do estado. Se elegeu tranquilamente ao lado da oligarquia que controlava o estado há quase 40 anos. Mas dois anos a relação degringolou e jogou Zé Reinaldo no colo da oposição e em seguida na cadeia.

Esse período difícil, rude, que teve um governador cassado (Jackson Lago) num processo estranho durou até 2014 quando Flávio Dino, vindo da construção de um projeto amplo derrotou a oligarquia nas eleições daquele ano.

Nos pouco mais de sete anos no governo, Dino enfrentou os terrenos mais hostis possíveis, passando pelo impeachment da presidente Dilma, pela eleição da extrema direita à presidência e uma pandemia mundial. E saiu ileso, com um grupo, dando a volta por cima no apoio a Lula que saiu de um processo judicial cheio de corrupções e injustiças e retornou de cabeça erguida à presidência da República, com Flávio Dino eleito senador.

Contrariando boa parte do próprio grupo, Dino escalou o vice-governador Carlos Brandão para sucedê-lo no Palácio dos Leões. Contrários apaziguados, o político de direita, cria do ninho tucano do PSDB, mesmo passando boa parte da campanha internado num hospital de São Paulo, foi eleito com facilidade, com todos acreditando no mesmo Projeto de Estado comandado por Dino e com diretrizes estabelecidas e acordadas.

E agora, José?

A guinada histórica que leva à reconstrução do Brasil, com a volta da racionalidade, da ciência e da democracia caminham pro lado contrário no Maranhão. Enquanto o governo Lula reestrutura o país, tendo, inicialmente no comando do Ministério da Justiça o senador Flávio Dino, o Palácio dos Leões começa sua própria oligarquia, através de uma implantação familiar em órgãos estratégicos do estado, do mesmo jeito que viram o Sarney comandar.

Para piorar, Flávio Dino é “obrigado” a se retirar da política, uma vez que fora escalado para compor o Tribunal Constitucional do País, sobre o qual rege a lei e não a política. Com tudo acontecendo rapidamente, sem tempo para que novas lideranças se estabelecessem, Brandão dilui o grupo e aperta o comando familiar, utilizando-se de tenentes que se contentavam com as sobras.

A partir daí, aquele grupo estabilizado, com um Projeto de Estado, deixado por Flávio Dino, passa a ser um exército menor, de comandados. Mas com a exacerbação do familismo, quando chega ao ponto de acordos sucessórios serem rasgados e até negados, o grupo se obriga a estabelecer uma resistência, criando uma oposição legislativa, pequena, porém  organizada e competente.

Este grupo não aceita a proposição do sobrinho do governador como sucessor. Um nome caindo do espaço, uma figura anódina, sem exercício político, notadamente a representação de um sistema medieval obsoleto de sucessão, que não combina em nada com a reconstrução do Brasil e o progresso do Maranhão. Além do que passava por cima de pessoas e acordos feitos com o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Se perde se não se ganha

Enquanto o governador Carlos Brandão construía seu projeto pessoal familiar e destruía o projeto coletivo e democrático do grupo no qual e pelo qual ele se elegeu, aquém e além, um terceiro projeto ganhava força. E não era nem de Brandão, nem do grupo o qual ele traiu.

Sem jamais ter dito que era candidato a governador, sem ter um grupo político, sem pedir nem oferecer, nem chantagear, nem comprar nada nem ninguém, o prefeito Eduardo Braide figura, nos últimos anos de pesquisas realizadas como o favorito do eleitor maranhense para ser o novo ocupante do Palácio dos Leões.

É o resultado da destruição perpetrada por Brandão no grupo criado por Flávio Dino, num momento que o Maranhão estava acéfalo, perdido num momento histórico ultrapassado, sem horizonte de se transformar num estado rico e promissor. Esse encaminhamento Dino deu e Brandão enterrou por conta de seu projeto pessoal familiar.

Faltando pouco mais de duas semanas para o prazo de desincompatibilização, o prefeito Eduardo Braide ainda não se revelou, mas nos bastidores o nome atribuído a ele é “candidatíssimo”.

Se Brandão, pela sua prepotência e pessoalidade, não teve condições de comandar a própria sucessão, parece que o silêncio e a paciência de Braide, lhe entregaram de bandeja, de mão beijada, de graça, o comando da sucessão estadual do Maranhão, aonde ele fará o que quiser, do jeito que quiser, até por que não precisou de nenhum deputado, nenhum prefeito, nenhum vereador, nenhum presidente, nenhum partido para colocá-lo aonde está.

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