Ataques recentes ao vice-governador revelam menos uma reação espontânea e mais uma disputa antecipada pelo controle da sucessão, do PT e do apoio de Lula.
Efeitos da pesquisa Quaest/Mirante? Efeitos da aproximação dos prazos eleitorais? Seja como for, Felipe Camarão entrou, nos últimos dias, na linha de tiro de uma ofensiva política aberta, amplificada nas redes sociais por certos operadores acostumados a converter jornalismo em publicidade e análise em peça de campanha.
Não há nada de casual nesse movimento. O que está em curso é uma disputa antecipada pelo controle do cenário que começará a se definir com mais nitidez a partir de 4 de abril.
Embora não lidere, neste momento, as pesquisas eleitorais, Felipe Camarão ocupa uma posição estratégica no tabuleiro. Seu lugar não é lateral nem decorativo. Ele interfere diretamente no desenho da sucessão, bloqueia manobras, reorganiza cálculos e impõe limites a um roteiro que outros gostariam de executar sem resistência.
É isso que ajuda a explicar os ataques e também o modo como eles vêm sendo desferidos. O objetivo parece claro: pressionar pela renúncia do vice-governador, abrir caminho do governador para a disputa do Senado e viabilizar, ao mesmo tempo, a unção do sobrinho como sucessor.
Mas há um problema para os autores dessa operação. A postura firme de Felipe Camarão produz um efeito oposto ao desejado. Em vez de isolá-lo, tende a consolidar um campo de oposição com densidade política, peso eleitoral e possibilidade concreta de vitória já no primeiro turno.
No fundo, o que está em disputa não é apenas um nome. Disputam-se a estrela, o CNPJ do PT e o vínculo com Lula. Disputa-se o espólio simbólico e político de um campo que certos “petistas tradicionalistas” disseram representar, mas que, na hora decisiva, não conseguiram construir, sustentar nem entregar ao verdadeiro, embora discretamente oculto, comandante desses militantes.
Prof. Xico
