segunda-feira, 27 julho, 2026

O currículo invejável de Raimundo de Cutrim na área de segurança não foi suficiente para o ex-secretário do governador Carlos Brandão ser pego tentando interferir na investigação federal do caso Tech Office. O delegado de Polícia Federal aposentado foi gravado em conversa orientando o pai do Gilbson Cutrim como a filho e a esposa deveriam mudar o depoimento de uma delação que Cutrim diz que teve acesso, mesmo a investigação estando em grau 5 de sigilo no STF. 

Ouça o áudio na íntegra

A conversa entre Raimundo Cutrim e o pai do assassino confesso do Tech Office atesta que um secretário de governo vinha trabalhando numa versão que protegeria o sobrinho do governador e para isso jogaria a culpa nos vereadores aliados do governo Beto Castro e Paulo Vitor, e de quebra envolveriam o vice-governador Felipe Camarão na trama, que apenas atendeu um pedido político dos respectivos vereadores conseguindo um cargo na Seduc para o empresário João Bosco. 

Essa tentativa de colocar Felipe Camarão como suspeito esbarra na própria investigação duvidosa que a Polícia Civil fez na época e não encontrou nenhum vestígio de relação entre Felipe e João Bosco. Agora pensem comigo, se tivessem achado uma ligação sequer entre os dois tudo já não teria sido exposto pela mídia governista? Mas não existe absolutamente nada, nem prints de conversa, nem registro de ligações e nenhuma relação comprovada, existe apenas um ato de nomeação a pedido de um aliado político e o reconhecimento processual de uma dívida feita no apagar das luzes do governo Roseana em 2014. 

Na verdade, o áudio deixa claro que Raimundo Cutrim tenta blindar o atual presidente do TCE e sobrinho do governador Carlos Brandão no seu envolvimento com o crime tentando emplacar a versão de que os repasses financeiros feitos por Daniel a Gilbson foram apenas pela amizade que os dois tinham e que hoje curiosamente não tem mais. Mas como esconder as imagens de Daniel Brandão na cena e no momento do crime? E pior, como negar a relação cobranças de contratos da mesma natureza do caso Tech Office que estão de posse da Polícia Federal? 

Para piorar, o todo poderoso da segurança do governo Carlos Brandão colocou em dúvida a investigação da Polícia Civil constatando o básico de uma investigação séria aonde sequer foram no carro que João Bosco chegou ao local para constatar que as armas dele estavam lá. Além disso, ele praticamente inocentou Gilbson Cutrim, dizendo que se ele não o matasse morreria no local, ou seja, segundo o expert em segurança, o assassino confesso do caso Tech Office agiu em legítima defesa. 

Que reviravolta.

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