terça-feira, 2 junho, 2026

A passagem de Edinho Silva pelo Maranhão deixou um recado direto do presidente Lula para o grupo brandonista.

“Não terá palanque duplo no Maranhão e não se discute segundo turno porque o presidente Lula acredita na vitória de Felipe Camarão”.

E para isso acontecer Edinho deu a receita num discurso empolgante na plenária do partido, ” Precisamos dizer ao povo do Maranhão que as maiores obras no estado estão sendo realizadas pelo presidente Lula e em 2027 com a eleição de Felipe Camarão o governo federal fará muito mais por esse estado”

Por mais que a mídia brandonista tente minimizar os estragos do apoio do presidente para Felipe Camarão, qualquer avaliação serena mostrava que o governador Carlos Brandão vinha perdendo espaço junto ao núcleo político de Lula ao priorizar a construção da candidatura do sobrinho para sua sucessão. O desejo insano de poder de irmão colocou interesses locais acima da composição política defendida pelo presidente, abrindo uma fissura que se tornou cada vez mais visível nos últimos meses.

O cenário eleitoral também tem contribuído para aumentar a preocupação dos aliados do Palácio dos Leões. Enquanto Orleans Brandão enfrenta dificuldades para ampliar seu desempenho nas pesquisas reais, por outro lado, Felipe Camarão sai fortalecido para consolidar seu crescimento apoiado pela identificação com o projeto político de Lula.

A leitura é que, mantida a tendência atual, Camarão poderá ultrapassar Orleans antes mesmo do período das convenções partidárias.

Outro desafio a partir da negativa de apoio para a candidatura Brandonista, é a necessidade de equilibrar discursos e alianças. Orleans corre sério risco de repetir a situação enfrentada por Weverton Rocha em 2022, quando setores do eleitorado demonstraram resistência a projetos sem alinhamento político claramente definido. Além disso, a presença de bolsonaristas em sua base e a tentativa dissimulada de atrair o eleitorado lulista são apontadas como uma contradição difícil de administrar.

Além das dificuldades eleitorais, Brandão acumula obstáculos na manutenção da base. O grupo perdeu partidos importantes e ainda enfrenta incertezas sobre futuras alianças. Nesse contexto, o governador chega à reta decisiva politicamente enfraquecido e correndo o risco de eleger somente parentes e agregados mais próximos para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa.

Um resultado bem abaixo do esperado para o tamanho do sacrifício de ficar sem mandato.

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