O dia 12 de agosto marca o assassinato da líder sindical Margarida Maria Alves, em 1983, na Paraíba. Ela foi morta com um tiro no rosto após denunciar abusos cometidos por fazendeiros. O caso continua impune. A data é símbolo da luta contra a violência no campo no Brasil.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o país registrou 2.203 conflitos no campo em 2023, afetando mais de 1,2 milhão de pessoas. Os casos envolvem ameaças, invasões, destruição de lavouras, expulsões forçadas e homicídios.
Maranhão concentra maior número de conflitos
O Maranhão aparece entre os estados com maior incidência. Em 2023, foram 228 ocorrências relacionadas ao uso irregular de agrotóxicos, sendo 68% no leste do estado, região marcada pela expansão da soja.
As vítimas são, em sua maioria, quilombolas, indígenas, pequenos agricultores e assentados. As denúncias incluem intoxicações por pulverização aérea, ameaças de grupos armados, despejos e perseguição a lideranças.
A regularização fundiária e a demarcação de territórios indígenas e quilombolas seguem paralisadas ou em ritmo lento.
Mobilização e inércia do poder público
Organizações sociais e sindicatos mantêm ativa a mobilização por direitos no campo. No Maranhão, universidades organizam eventos sobre os impactos da violência rural. Um simpósio com movimentos sociais e pesquisadores está previsto para este ano.
A ausência de respostas do Estado é apontada como fator de agravamento dos conflitos. Inquéritos sobre crimes agrários seguem sem desfecho, alimentando a impunidade.
