Uma análise mais acurada sobre os últimos 4 anos em que Carlos Brandão esteve à frente do Governo do Maranhão aponta para uma rápida deterioração de harmonia dentro dos poderes devido à falta de transparência de seus principais aliados, respeito aos limites institucionais e frequentes politizações de instituições técnicas.
Demissão em massa da equipe de investigação do GAECO dentro do Ministério Público, eleição apertada do novo presidente do Tribunal de Justiça, eleição da Assembleia Legislativa empatada e sem consenso dentro do próprio grupo governista.
E vai além. Instituições relevantes estão com cargos vagos, como é o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) que está sem dois conselheiros devido a questionamentos em torno de suas indicações e do próprio Tribunal de Justiça (TJ-MA), cuja cadeira dedicada a OAB-MA segue sem indicados pelo mesmo motivo.
Todo esse contexto começa com a euforia da família Brandão em ocupar espaços de poder. Desde que assumiu o Governo em 2022, Carlos Brandão retomou a prática de nepotismo e de indicações de pessoas sem o devido preparo para cargos estratégicos.
Seu irmão Marcus Brandão foi afastado de uma diretoria da Assembleia Legislativa, seu sobrinho é questionado na presidência do TCE-MA, além de outros nomes que foram afastados de seus cargos pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Posturas essas que o afastaram de aliados históricos e gerou dissidências tanto dentro de seu antigo partido, o PSB, de onde precisou sair por não haver consenso sobre seu nome. O desconforto extrapolou e chegou ao PT e a Brasília, refletindo também as divergências dentro da própria família.
Brandão anda lado a lado com o que consegue “comprar” com a caneta de Governador, mas à medida que se aproxima a data de sua saída, ficam mais claros os sinais de que o café do Palácio dos Leões esfriou. E tem se tornado assunto corriqueiro nas conversas de pé de ouvido na capital e no interior a certeza de que, seja com ou sem renúncia, o Maranhão estará melhor sem a família Brandão.
O fato é que o Estado nunca viu tamanha falta de articulação entre as instituições e incapacidade de harmonia, enquanto a grande maioria torce, sem alarde para não sofrer retaliação da família, para que o tempo brandonista no poder chegue ao fim.
