segunda-feira, 20 abril, 2026

Em um vídeo publicado em suas redes sociais na noite desta segunda-feira (29), o vice-governador Felipe Camarão gerou debate ao afirmar que a prática do coronelismo, um fenômeno histórico da República Velha, permanece enraizada em dinâmicas de poder contemporâneas. A fala, que ocorre em um período de articulações pré-eleitorais, foi encarada por setores políticos como uma crítica direta a aliados e oposicionistas.

Para embasar sua argumentação, Camarão citou a obra seminal “Coronelismo, Enxada e Voto”, do jurista Victor Nunes Leal. O livro, publicado em 1949, explica o sistema como uma troca de favores, onde o poder público é usado para conceder benesses – como empregos, obras e materiais – em troca de apoio político eleitoral. O vice-governador não nomeou casos ou pessoas específicas, mas foi enfático ao declarar que o termo “continua atual em algumas cidades, estados e espaços de poder”.

A declaração mais contundente veio com um apelo à população. “Precisamos combater o coronelismo político e exercer o voto de forma livre, escolhendo quem realmente acreditamos que pode governar melhor o nosso estado”, afirmou. A mensagem é interpretada por analistas como um esforço para se distanciar de práticas tradicionais e se conectar com um eleitorado mais jovem e urbano, para quem a relação clientelista tem menos apelo.

Procurada, a assessoria de imprensa do vice-governador não detalhou se a fala foi motivada por algum episódio recente ou se pretende embasar futuras ações de governo. Já a oposição criticou a declaração, classificando-a como “generosa e oportunista”, enquanto aliados evitaram comentar o conteúdo, sinalizando o caráter sensível do tema no cenário político atual.

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