Enquanto a violência contra a mulher atinge patamares alarmantes no Maranhão, os representantes políticos permanecem em silêncio. De janeiro até a presente data, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) já registrou 27 casos de feminicídio no estado, um número preocupante em relação aos anos anteriores. em 2023, foram 50 casos, já em 2024, o ano fechou com 69 casos, ocasionando em um aumento de 38%.
Apesar da gravidade dos dados, a reação institucional tem sido marcada por passividade. Parlamentares da Câmara Municipal de São Luís e da Assembleia Legislativa do Maranhão não se manifestaram publicamente sobre os crimes mais recentes, tampouco apresentaram propostas legislativas concretas voltadas à prevenção da violência de gênero. A ausência de iniciativas públicas ou debates urgentes em plenário contrasta com o aumento constante dos casos e revela um descompasso entre a realidade vivida pelas mulheres maranhenses e a atuação política.
Nos últimos dias, a cidade de Timon, a 429 km da capital, tornou-se palco de duas ocorrências brutais em menos de 24 horas. No sábado (21), Grace Nunes da Silva, de 37 anos, morreu após ser esfaqueada pelo ex-companheiro, que se apresentou à polícia e foi preso. Na sexta-feira (20), outra mulher foi baleada no rosto, dentro de casa, também por um ex-companheiro, que em seguida, tirou a própria vida. A vítima segue hospitalizada.
Os dois casos estão sendo investigados pelo Departamento de Feminicídio da Polícia Civil do Maranhão. Somados aos registros anteriores, elevam o número de assassinatos de mulheres este ano para 27.
O avanço do feminicídio no estado exige respostas rápidas e estruturadas, o que inclui investimento em políticas públicas, fortalecimento da rede de proteção às mulheres e, principalmente, responsabilização. Porém, a ausência de liderança por parte dos representantes legislativos ainda apresentam uma barreira.
