quarta-feira, 29 abril, 2026

O governo federal contabiliza 6.425 ações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami (TIY) desde o início das operações integradas em 2023, com resultados que incluem R$ 477 milhões em prejuízos aos criminosos e redução de 98% das áreas exploradas ilegalmente. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (11) pela Casa Civil, que coordena as ações envolvendo Forças Armadas, Polícia Federal, Funai e outros órgãos.

Apenas na última semana, uma operação apreendeu 103 quilos de ouro, o maior volume em uma única ação, elevando o total confiscado para 138 quilos, avaliados em R$ 82,2 milhões. As intervenções já destruíram 627 acampamentos, 207 embarcações, 101 balsas, 29 aeronaves e 59 pistas de pouso clandestinas, além de inutilizar 124 mil litros de combustível.

O avanço ocorre após o colapso nas políticas de proteção entre 2019 e 2022, quando o garimpo se expandiu de forma descontrolada, degradando 2.400 hectares de floresta e provocando surtos de malária, contaminação por mercúrio e desnutrição infantil. Dados das associações Yanomami apontam que invasões se concentravam nas bacias dos rios Uraricoera e Mucajaí, com infraestrutura permanente similar à dos anos 1980.

“Estamos revertendo quatro anos de omissão que colocaram vidas em risco”, afirmou o ministro Rui Costa (Casa Civil). A ministra Sonia Guajajara (Povos Indígenas) destacou a inauguração iminente do polo de saúde em Surucuru e do Centro de Atendimento à Criança Yanomami como “medidas permanentes de reparação”.

Operações como a “Asfixia”, em junho, usaram 220 horas de voos para identificar e destruir estruturas ilegais. O plano inclui ainda o bloqueio de rotas de abastecimento e a retomada de cultivos tradicionais pelas comunidades. Enquanto isso, o STF mantém sob análise ações que podem endurecer penas para garimpeiros.

Apesar dos resultados, lideranças indígenas alertam para a necessidade de manter o ritmo das operações. “O garimpo não acabou, mas hoje temos esperança”, disse Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami. Dados oficiais mostram que 28% dos garimpeiros atuavam em terras indígenas antes das operações. Hoje, esse índice é inferior a 1%.

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