sábado, 30 maio, 2026

Um documento sigiloso do Supremo Tribunal Federal (STF), descreve com detalhes a conduta do senador Weverton Rocha (PDT-MA) no esquema de fraudes na Previdência, investigado na Operação Sem Desconto. O relatório da Polícia Federal, anexado ao processo, aponta o parlamentar como “sustentáculo político” da organização criminosa e “beneficiário final” do dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS.

A decisão do ministro André Mendonça analisa pedidos de prisão preventiva e cita que a PF encontrou um arquivo intitulado “GRUPO SENADOR WEVERTON” nos dispositivos de operadores financeiros do esquema. O documento sustenta que o enriquecimento do suspeito de líder da fraude, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, “foi viabilizado por suporte político” do parlamentar.

O ministro Mendonça optou por não decretar a prisão preventiva do senador, acompanhando parecer do Ministério Público Federal que considerou os indícios, embora robustos, ainda não consolidados para uma medida tão extrema. No entanto, a decisão descreve uma rede de conexões que inclui o ex-assessor de Weverton, Adroaldo Portal (preso e exonerado da Secretaria-Executiva da Previdência), e o empresário Gustavo Gaspar, apontado como “braço direito” do senador e também alvo de prisão.

O relatório da PF menciona que Adroaldo Portal, quando ainda assessor do senador, teria recebido depósitos em espécie de mais de R$ 249 mil, realizados por seu filho, que também trabalha no gabinete de Weverton. Em um disco rígido apreendido na casa do “Careca do INSS”, uma planilha de controle de pagamentos registrava uma propina de R$ 50 mil em favor de “ADRO”.

A investigação também vinculou o senador a operações de lavagem de capitais no exterior, incluindo a aquisição de cotas de aeronaves de luxo por meio de empresas de fachada controladas por outros investigados. Uma foto anexada aos autos mostra o parlamentar a caminho de um jato particular, cujas cotas foram adquiridas por Antônio Camilo.

Em nota reiterada, a assessoria do senador Weverton Rocha afirmou que ele recebeu a busca e apreensão em sua casa com “surpresa” e “serenidade”, colocando-se à disposição para esclarecer os fatos. A defesa do parlamentar ainda não se manifestou sobre o conteúdo específico do documento do STF.

A decisão do ministro Mendonça determinou a prisão preventiva de 16 pessoas, incluindo o secretário-executivo da Previdência, Adroaldo Portal (que terá a prisão convertida em domiciliar por ser pessoa com deficiência), além de empresários, operadores financeiros e filhos de investigados já presos. O senador Weverton foi o único entre os principais alvos a não ter a prisão decretada.

Leia o documento aqui: DECISAO

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