Presidente defende soberania e ameaça retaliar, mas mantém disposição para diálogo
Em pronunciamento em rede nacional na noite desta quarta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com veemência à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, foi classificada por Lula como “chantagem inaceitável” e um ataque às relações bilaterais.
O Planalto interpretou a imposição como uma resposta inadequada às negociações mantidas entre os dois países incluindo mais de dez reuniões técnicas e uma proposta formal enviada pelo Brasil em maio. O presidente afirmou que o país “não aceitará ameaças” e sinalizou possíveis retaliações, como a aplicação da Lei da Reciprocidade ou um recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sem citar nomes, Lula atacou políticos brasileiros que, segundo ele, apoiam as medidas estadunidenses, chamando-os de “traidores da pátria”. Também condenou o que classificou como tentativas de interferência externa no Judiciário brasileiro, reforçando a defesa da autonomia institucional.
O discurso abordou ainda a regulação de plataformas digitais estrangeiras, com o presidente defendendo medidas contra desinformação e discurso de ódio. Sobre o sistema Pix, Lula foi enfático: “É do Brasil”, afirmou, rechaçando críticas internacionais.
Para rebater acusações de comércio desleal, o presidente destacou que os EUA acumularam superávit de US$ 410 bilhões em trocas com o Brasil nos últimos 15 anos. Na questão ambiental, lembrou a queda de 50% no desmatamento da Amazônia em seu governo e a meta de zerá-lo até 2030.
Apesar do tom combativo, Lula afirmou que o Brasil mantém interesse em “relações civilizadas” com Washington e outros parceiros, mas deixou claro que não recuará em sua posição. Analistas avaliam que o impasse pode levar a uma escalada nas tensões comerciais caso não have avanços nas negociações diplomáticas.
