sábado, 31 janeiro, 2026

Preciso começar esse texto afirmando que essas linhas são apenas uma crônica com doses de reflexão, até porque escrever qualquer coisa sobre a imprensa é sempre pisar num terreno muito delicado e está longe das minhas pretensões ser o Mister M do jornalismo maranhense, afinal todos nós sabemos como funciona o jogo e se antes tinha uma aura de imparcialidade, hoje os lados estão escancarados e o jornalismo opinativo vem crescendo construindo narrativas em cima de meias verdades.

O meu objetivo não é teorizar a comunicação local; além de não ter competência para isso, particularmente, acredito que muita teoria acaba complicando a vida e o mais prudente é deixar a produção científica para o ambiente acadêmico. Não é verdade?

Entretanto, é necessário observar que a ameaça do ruído na comunicação, alertado pelos teóricos da escola de Frankfurt, no século 20 passou de preocupação a realidade e mesmo McLuhan antevendo o mundo globalizado de hoje em dia. O ruído foi potencializado por novas ferramentas tecnológicas. Embora haja exceções, a realidade atual é que a oferta de informação que aparecem nas nossas telas está sem controle de conteúdo e de qualidade. Lamentavelmente o ChatGPT é a nova realidade.

Para bem longe dos textos de inteligência artificial predominantes por aí, Adorno já dizia em Minima Moralia – reflexões a partir da vida danificada – Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Depois dessa breve ambientação e nada tão grande como os textos de Saussure xerocados da UFMA, nos anos 90, afinal o momento não é propício para discutirmos o significante e o significado na atual conjuntura, muito embora a política e a imprensa maranhense se posicionem muito além da semiótica, em diversas oportunidades.

O recente episódio envolvendo o quadro bastidores, apresentado pela competente jornalista Carla Lima, na TV Mirante, e as notas de repúdio dos deputados oposicionistas, em relação a um comentário opinativo sobre uma suposta possibilidade de afastamento do governador Carlos Brandão, assim diz um o trecho do inicio da fala, “ O fato novo que vem de uma especulação desde a semana passada…” narra algumas possibilidades e antes de encerrar ela diz “ agora uma coisa é certa, se for verdade os deputados estão com informações privilegiadas” e complementa tipificando o crime segundo a lei.

Quando o fato surgiu de uma especulação e a certeza veio do “SE”, na maior audiência da televisão local em nosso Estado, a tendência é normalizarmos as graves acusações contidas na notícia e essa tendência não é exclusiva, ela já vem sendo validada há alguns meses em todos os setores da imprensa, inclusive este que vos escreve.

Agora abrindo mais o leque da pauta como diziam as antigas pauteiras, a crise politica entre o governo do grupo Brandão e os remanescentes leais do grupo dinista acabou expondo os lados da comunicação maranhense, o passado ficou para trás, a hora é de vaca desconhecer bezerro, como diz um adágio popular, afinal o Estado controla a verba e ainda “prensa” como nos tempos de Gutemberg e ai de quem não se enquadrar.

“Uma coisa é certa, se o bicho é alto jogador não pode fazer corpo mole”, já dizia Castor de Andrade no tradicional time do Bangu na década de 80. Bicheiro e contraventor declarado, Castor foi um personagem folclórico e apesar de ser criminoso criou fama com um jargão no Rio de Janeiro: vale o que está escrito, e ninguém ousava não pagar o que estava no papel.

Mas o papel perdeu valor na escrita e o digital pulverizou a informação. O caminho viável é tentar chamar atenção em meio à uma multidão que se alimenta de polêmica, mas não podemos julgar os que estão entre a cruz e a espada, a favor desses apenas a amnésia gradativa da linha de produção de todo o dia.

No mais, temos que pensar positivo e entre tantos altos fenômenos de popularidade acaba sendo até divertido acompanhar um conselho matutino dominical tentando definir até a eleição de 2030, uma carta de Pero Vaz de Caminha, alguns anarquistas, futurólogos, outros instagramáveis e muitos kamikazes.

As notícias precisam continuar, mas não vamos esquecer do velho Adorno no início, Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la.”

Os comentários estão fechados.