segunda-feira, 16 março, 2026

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) convocou nesta sexta-feira (8) o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para explicar as declarações do governo norte-americano contra autoridades do Judiciário brasileiro. O encontro, conduzido pelo embaixador Flavio Celio Goldman, secretário interino para Europa e América do Norte do Itamaraty, teve como objetivo expressar a “indignação” do governo brasileiro com as postagens recentes do Departamento de Estado e da embaixada estadunidense.

As críticas dos EUA direcionam-se especialmente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável por processos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e investigações sobre tentativas de golpe após as eleições de 2022. Nesta quinta-feira (7), a embaixada traduziu e republicou uma mensagem do secretário de diplomacia pública Darren Beattie, que alertou: “Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto.” O texto acusa o ministro de “censura” e “perseguição política”.

No final de julho, os EUA impuseram sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky, medida que congela bens e proíbe entrada no país. A justificativa foi a atuação do ministro no inquérito que apura supostos planos golpistas de aliados de Bolsonaro, incluindo a suspensão do resultado das eleições e até mesmo a prisão ou assassinato de autoridades. O ex-presidente nega as acusações.

Além disso, o governo brasileiro avalia que as declarações configuram ingerência em assuntos internos. O caso ganha novos contornos com a investigação sobre supostas gestões de Bolsonaro e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto aos EUA para pressionar por sanções contra o Brasil. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apura se houve articulação política por trás das medidas.

O Itamaraty aguarda uma resposta formal do governo norte-americano, enquanto o STF deve manter o curso das investigações. Até o momento, a embaixada dos EUA não se manifestou sobre a convocação.

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