O tabuleiro político maranhense começa a ter definições mais claras. As movimentações nos últimos dias indicam que os principais pré-candidatos ao Governo do Estado já escolheram os campos políticos que pretendem representar em 2026.
Eduardo Braide deixou de alimentar especulações sobre uma candidatura de perfil independente desde a escolha da candidata a vice identificada com a direita, além disso, a aproximação com lideranças bolsonaristas e a composição de uma chapa ao Senado formada por André Fufuca e Lahesio Bonfim reforçam a leitura de que seu projeto busca dialogar prioritariamente com o eleitorado conservador.
Do outro lado, Felipe Camarão consolida-se como o representante do campo lulista no Maranhão. Vice-governador, ex-secretário de Educação por sete anos e integrante do grupo político liderado por Flávio Dino, Camarão reúne o apoio dos partidos de esquerda e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já gravou manifestação pública em seu favor. Em um estado onde Lula historicamente registra votações expressivas, o apoio presidencial tende a ser um dos principais ativos de sua candidatura.
No terceiro campo, aparece Orleans Brandão que não conseguiu o apoio de Lula e sua principal credencial será apenas o fato de ser sobrinho do governador Carlos Brandão. Sua candidatura é vista como uma tentativa da família Brandão se perpetuar no poder. A pouca experiência administrativa e o parentesco com o governador serão temas inevitáveis durante a campanha, além, é claro, do abuso de poder econômico com o tio e o pai colocando as contas do Estado em risco para tentar eleger o herdeiro do trono de Colinas.
O cenário, portanto, desenha uma disputa de identidades políticas bem definidas: Braide busca consolidar-se junto ao eleitorado de direita; Camarão aposta na força do lulismo e do legado político de Flávio Dino; e a Orleans resta ficar à sombra do seu tio e sob a tutela do pai na sua gana desesperada para continuar mandando nos cofres do Estado.
Se a polarização nacional continuará influenciando a política maranhense, ainda é cedo para afirmar. Mas uma conclusão já parece evidente: os campos já estão bem definidos.
