O Tribunal de Justiça do Maranhão proferiu decisão sobre a judicialização da última eleição para o comando do Partido dos Trabalhadores, do Maranhão, Processo de Eleição Direta (PED) 2025.
A decisão do juiz Márcio Castro Brandão, da 3ª Vara Cível de São Luís, rejeitou a ação movida por Genilson Alves, Raimundo Monteiro e Francisco Rogério, que alegaram que Francimar Melo teria descumprido regras internas do partido e o tornaria inelegível para o PED 2025.
Além do processo na justiça, a Executiva Estadual declarou Francimar Melo inelegível e determinou a realização de um segundo turno entre os outros dois candidatos mais votados. A decisão não foi aceita pela Direção Nacional do partido, que confirmou a eleição de Melo, já no primeiro turno.
Quem perde, quem ganha
Um detalhe chama a atenção nesse processo. Mesmo a liminar inicial tendo sido concedida pela primeira instância, a decisão de agora da Justiça decidiu manter a Comissão Provisória que está no comando partido, com pleno exercício de suas funções.
A Justiça maranhense tomou a sua decisão e deixou a parte que envolve a política interna a cargo do próprio partido. Ou seja, qualquer mudança deve ser tomada pela Comissão Executiva Nacional.
O que sobra dessa judicialização são cicatrizes e mágoas no interior do partido e na avaliação que a executiva nacional faz das questões estaduais. Num momento em que o partido deveria estar procurando a integralização, a força da união por um projeto nacional e estadual comum, o que se vê são interesses pessoais brotando no interior do partido.
O resultado do processo judicial é o crescente desprestígio dos ex-deputados Zé Carlos e Zé Inácio. Isto porque, ao invés de cumprir a sentença e nomear a direção eleita, preferiu-se deixar de fora da Executiva Estadual, justamente os responsáveis pela judicialização.
A decisão de não mudar a comissão provisória é um recado ao atual Superintendente do Incra (Zé Carlos) e o ex-deputado petista Zé Inácio. Por judicializarem a eleição do presidente que representa a CNB, os articuladores têm sido avaliados como provocadores de instabilidades que prejudicam a construção de uma estratégia robusta para ampliar espaços de poder do partido do presidente Lula.
Não é por falta de recado. Nas falas do presidente nacional Edinho Silva, no último encontro da CNB, em Brasília, Silva deixou mais do que claro que o partido não tem interesses menores, como ser linha auxiliar, em ser coadjuvante, em ser objeto de troca. O presidente propõe, ao contrário, que o partido seja protagonista e tome a frente dos processos, na construção de sucessões e reeleições, onde assim houver esse caminho. E o Maranhão é um destes.

1 comentário
Não sou filiado ao PT, mas a leitura que faço é de meia dúzia de petistas emplumados que agem por interesses pessoais, relegando o projeto do partido.