Surgiu na mídia padrão e replicou-se na mídia de eco do governo a notícia de um pacote de “mundos e fundos” prometido ao governador para que ele cumpra o acordo e deixe o governo rumo a uma candidatura ao senado, deixando o estado para ser tocado pelo vice-governador Felipe Camarão que seria candidato à reeleição.
Sendo verdade, pelo menos a metade do pacote, já seria um excelente negócio para o governador. Já ouvi mais de um deputado dizendo que “por mim nem tem mais acordo”; mas é uma briga onde tem cachorro grande, não muitos, mas tem.
Já foram recuperados vídeos antigos do governador Brandão declarando em alto e bom som que o vice assumiria o governo no devido tempo (5 de abril de 2026), portanto, havia, de fato, um acordo. E houve tempo em que esse acordo foi bem discutido, levado a sério, e com vontade politica para que fosse cumprido; isso pelo menos por parte do grupo que hoje está distanciado do governador e que muitos membros já não ligam para o acordo, dado o tamanho do desgaste que foi criado com o lançamento do projeto familiar de Brandão.
O Maranhão foi, no período colonial, o braço mais fiel de Portugal no além mar. E tentou ser fiel ao invasor mais do que aos irmãos da terra. Dois fatos históricos ilustram essa fidelidade. Aqui teve guarida o traidor Joaquim Silvério dos Reis, que entregou os insurgentes da Inconfidência Mineira, gerando um banho de sangue e banimentos entre os irmãos brasileiros. O outro fato é a resistência à independência do Brasil, cuja adesão do Maranhão só ocorreu quase um ano depois, e isso sob os canhões do navio Nau Pedro I, de Lord Cocrhane.
E enquanto provava o primeiro café fumegante do dia, observando a chuva que encerrava a madrugada, o plim-plim do whatsapp sobre a mesa da varanda atrapalhou a bela visão da Bahia de São Marcos, onde, em 26 de julho de 1823, ancorara a Nau Capitânia Pedro I. Era uma mensagem de uma amiga que está concluindo o pós-doutorado pelas bandas de Brasília (pura coincidência!) e, por acaso, encontrou nas suas pesquisas um tweet do então governador Flávio Dino, que dizia:

Silvério dos Reis entrou pra história da vergonha. Os portuga-maranhenses dobraram-se sob os canhões de Lord Cochrane e tornaram o 28 de julho feriado estadual. 2016, ano do tweet, foi um ano difícil para o Brasil; deu início à grande derrocada do pais, iniciada com o impeachment de Dilma e subsequente Ascenção da ultradireita. A que o Flávio Dino se referia, a Temer, aos congressistas traidores de Dilma, não sei, mas dez anos depois, o tweet continua atual.
