quarta-feira, 4 março, 2026

Depois de um fim de semana bem festivo para o Partido dos Trabalhadores, a segunda-feira virou uma segunda-feira de cinzas: acabou o carnaval e as Águas de Março já vem pra “queimar” o verão, ou melhor, para ser o outono das ideias de alguns membros do partido, que se acham a nata da esquerda.

Na sexta-feira (21), em reunião na sede da Assembleia Legislativa, o partido deu posse aos diretores setoriais, sem no entanto dar posse ao presidente eleito (o partido continua com uma interventora no comando); no sábado houve a “Feijoada do PT”, em comemoração aos 46 anos do partido, onde  duas presenças foram marcantes: a do senador Weverton Rocha e a da presidente da Assembleia legislativa, deputada Iracema Vale.

O que eles faziam lá?

Perguntei a um dirigente petista:

“Conferir se o buffet estava bom”, foi a primeira resposta. “Na verdade, só fazer a foto para Brandão tentar a última cartada com Lula: – olha aí, Presidente, tratamos bem o PT do Maranhão”.

Tá, mas esse mesmo dirigente disse que Iracema já havia ligado para os brandopetistas desautorizando-os de promoverem seu nome para futura filiação no Partido dos Trabalhadores.

Então, porque marcar presença na festa, com o senador a tiracolo, significando: “esse é meu candidato ao senado”. Seria ela a proposta da outra vaga? Então por que desautorizar a promoção de seu nome como a “nova petista” do Maranhão?

Aliás, o comentário é que a breve passagem de Iracema pelo MDB, não é uma “conexão” para o PT e sim para outro partido e outro projeto, bem mais independente, como veremos mais abaixo.

¡Adiós, muchachos!

Outro evento dos últimos dias que balançou as pilastras das correntes partidárias internas foi a saída de Washington Oliveira de um grupo de Whatsapp; grupo, formado por membros de diretórios municipais e mais algumas lideranças do partido, visando discutir o reassentamento das finalidades e estratégias partidárias. Nossa reportagem teve acesso à “carta de retirada” de Washington (sic):

Pessoal, Bom dia

Esse grupo foi constituído com pessoas que pensávamos que a partir de uma concepção politica unificada construíssem de forma orgânica o projeto da CNB em nosso estado. Isso não está acontecendo, muito pelo contrário. Me parece que estamos caminhando em rotas diferentes.

Eu continuo insistindo e permaneço construindo a primeira e única tendencia politica pela qual ingressei no PT a mais de 40 anos. Já entendi que esse grupo perdeu a razão de existir e lembro a todos alguns princípios que temos:

1 O PT não é um Partido só pra eleger pessoas a cargos institucionais;

2 O PT é um partido que veio para mudar as estruturas conservadoras desse país;

3 Essas mudanças só acontecerão se tivermos juntos ao povo pensando e agindo em função dos interesses das classes trabalhadoras;

4 Abominamos o personalismo e o oportunismo típicos de sociedades atrasadas;

5 Não somos seguidores de nenhuma personalidade. Somos petista somos de esquerda, sabemos qual é nosso papel nesse momento e temos consciência que esse grupo está na mira dos adversários, porque ele é um impecilho a seus projetos pessoais.

Continuaremos lutando à despeito de tudo e de todos, de mais longe já viemos e sobrevivemos. Dito isso, comunico que estou saindo desse grupo WhatsApp, porque ele perdeu sua função

Um abraço a todos

E assim se foi o Secretário de Estado da Representação Institucional do Maranhão no Distrito Federal (SERIDF), Washigton Oliveira (WO).

Um histórico dirigente petista afirmou que WO vinha descontente com algumas posturas no grupo, que passaram a, de fato, discutir ideias e estratégias que contrariavam o ex vice-governador, ex conselheiro do TCE. “Ele já havia dito que acabaria com o grupo, mas foi aconselhado por pares a não fazer isso, que pegaria mal; ele deu um tempinho, mas, ainda assim, preferiu, ao invés de acabar, vazar do grupo. Já deve ter criado outro grupo, somente com seus aliados – que não divergem dele”, disse o histórico.

Mais um racha nos brandonistas

No Brasil existe uma” turma do Nem-nem” (no fundo, bolsonaristas envergonhados) que pregam uma eleição sem Lula e sem o Bozo. Porém, enquanto Lula conquista mais espaço, o outro já está “amarrado em nome” da constituição Federal e do Código Penal. Da mesma forma no Maranhão tem uma turma do Nem-nem. Que não quer nem Felipe Camarão, nem outro (e que outro, que não se decidem?). Da mesma forma que a situação nacional, aqui, o vice-governador navega de vento em popa, sem amarras, sem empecilhos (com E) (cheio de piratas e traíras em volta, é fato); e o “outro (qual deles?)” – e, ainda que seja Braide – segue em busca de saber o lugar da regata.

E nesse cenário, aparece um novo grupo (aqui é o “como veremos mais abaixo”). Com aquele telefonema em que Iracema deu desautorizando os aliados brandopetistas a usarem seu nome como futura filiada do PT, surge a probabilidade da presidente da Assembleia estar em um novo projeto.

A turma do Nem-nem maranhense já tentou emplacar alguns nomes (Fufuca, Pedro Lucas), sendo o último nome de consenso o de: Iracema Vale. Todas as propostas foram rechaçadas pelo irmão do governador, Marcus Brandão, que só quer, só concorda, só admite, só sonha com um nome: o do próprio filho, sobrinho do governador.

Apesar de ser “cabo-de-guerra” do governo, Iracema Vale tem brio, tem sentimentos. Não deve ter achado bom ou bonito ser descartada de forma tão sublime pelos Brandão. Depois disso, o comentário que sobra (e ecoa fundo em diversos tímpanos) é de que a breve passagem de Iracema pelo MDB, não é “mais” uma “conexão rápida” para o PT e, sim, para outro partido e outro projeto, bem mais independente: o Republicanos de Aluísio Mendes.

“É pau, é pedra, é o fim do caminho”

Essa é a última semana de fevereiro; no sábado já desabam as águas de março, com seus restos de toco, com seus tocos sozinhos. Restará apenas esse mês e uns nevrálgicos dias de abril (um abril despedaçado!), quando todos terão de descer dos muros e encarar o front.

Há quem esteja ao mesmo tempo na melhor e na pior posição (caso de Braide – depois explico), quem esteja numa berlinda louca, e quem navegue como navegante solitário que não tem medo, nem ódio de baleias. Os próximos dias dirão aonde o amor superará o ódio (ou os interesses coletivos contra os interesses particulares).

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