O vazamento de uma investigação sigilosa aberta pelo Procurador Geral de Justiça do Maranhão expõe muito mais que as movimentações financeiras e particulares do vice-governador Felipe Camarão, ela deixou claro que as decisões e omissões de Danilo Castro a frente do MP reforçam o Estado policialesco enraizado no governo da família Brandão.
Antes mesmo de assumir o comando do Ministério Publico do Maranhão, o promotor Danilo de Castro já demonstrava proximidade com os bastidores do poder, sabe aquela velha relação da fome com a vontade de comer? Pois é, logo após a sua posse como presidente da Câmara Municipal, o vereador Paulo Vitor nomeou o filho do Procurador Geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira Filho para o cargo de procurador da casa legislativa com um salário de 25 mil reais. Martelo batido com ponta virada e a proximidade garantida para o futuro.
Essa relação de vínculo formal durou até 09/01/2026, quando Danilo Castro Filho temendo a repercussão negativa na imprensa pediu exoneração do cargo um dia antes do parecer que o pai acataria pela soltura dos investigados no desvio de 56 milhões de reais em Turilândia que culminou com o pedido de exoneração em massa dos 10 promotores que compõe o GAECO em repúdio ao PGJ, que em nota minimizou o episódio, mas logo em seguida nomeou o seu primo, delegado Paulo de Tarso, para compor a nova equipe do GAECO. Vale ressaltar que Paulo de Tarso já estava cedido pelo governador para o Ministério Público a pedido do próprio Procurador Geral, além disso, outro filho do Procurador Geral, Eduardo Ferreira, presta serviços à prefeitura de Turilândia há três anos.
É meus amigos, à medida que o tempo avança e a proximidade com o dia D da escolha do governador Carlos Brandão se aproxima, o desespero bate a toque de caixa, afinal missão dada tem que ser missão cumprida.
Assim, no dia 27 de fevereiro de 2026 o Procurador Geral de Justiça arquivou o caso do Tech Office e pasmem, por ausência de provas contra o outro sobrinho do governador, o atual presidente do TCE. Mesmo tendo as imagens dele reunido com os envolvidos na cena do crime no mesmo minuto que aconteceu o assassinato, o PGJ disse não ter provas contra Daniel Brandão.
Uma verdadeira demonstração da coragem de Danilo de Castro, tomar uma decisão que atinge uma investigação federal em curso sobre o mesmo crime e seus desdobramentos não é para qualquer um.
Mas o que ele não sabia é que no dia 11 de fevereiro de 2026 às 15 horas o pai de Gilbson Junior, Cesar Soares Cutrim, declarou em depoimento à delegada da Polícia Federal coordenadora de inquéritos nos tribunais superiores, que o Procurador Geral de Justiça, Danilo de Castro Ferreira, o recebeu a pedido de Daniel Brandão para que ele falasse com o seu filho para que ele mantivesse o depoimento inicial feito a policia civil inocentando o sobrinho do governador e parasse de citar o nome de Daniel Brandão nesse caso, e que para isso ele mudaria o promotor do caso no júri popular para ajudar no relaxamento da prisão do acusado.
O júri popular aconteceu no dia 12 de dezembro de 2024 com um novo promotor designado para o caso, o promotor não fez qualquer menção ao nome de Daniel Brandão na audiência e devido a atuação de dois advogados de acusação se sentiu inibido para defender a absolvição de Gilbson Junior.

Já dizia Washigton Macaxeira “o jogo não é para amadores”, mas o combinado não deve sair caro. A partir daí a desconfiança tensionou a relação até a esposa do Junior denunciar a Polícia Federal que o seu marido estava sendo dopado e a caminho da morte em isolamento na penitenciaria de Pedrinhas, logo depois disso o caso foi federalizado até chegar na relatoria do Ministro Flávio Dino.
Mas não parou por ai e o movimento mais drástico do Procurador Geral de Justiça foi revelado nos últimos dias, um pedido de autorização sigiloso para investigar as movimentações financeiras e particulares do vice-governador concedido pelo Tribunal de Justiça, onde Felipe Camarão sequer teve acesso ao processo para formular sua defesa, porém o vazamento dos seus dados e de familiares em um processo onde sequer é ordenador de despesas e os valores “vazados” são de movimentações pessoais e não de origem pública, denotam que o objetivo é tirar o vice governador da linha sucessória abrindo caminho para o governador renunciar para buscar um mandato de senador e ainda tentar o eleger o sobrinho o novo governador do Maranhão.
E ainda nesse caso cabe uma pergunta, esse caso estava com o Desembargador Raimundo Barros? Raimundo Barros é tio da sogra de Orleans, Jackeline Heluy e por mera coincidência a esposa do sobrinho do governador trabalha no gabinete do referido desembargador. Depois do vazamento dessa investigação em curso no site do blogueiro Luís Pablo o desembargador se declarou impedido no caso. Mas vale a pergunta, antes de se declarar impedido foi ele que autorizou a quebra de sigilo do vice-governador?
Essas perguntas ainda estão sem respostas, assim como também vale perguntar por que o Procurador Geral de Justiça não investiga a família do governador que comprovadamente aumentou seu patrimônio através de holdings que movimentam mais de um bilhão de reais? Será que ele não está vendo que a família do governador está usando a estrutura do governo para eleger o sobrinho?
O peso das decisões, e das omissões do líder no Ministério Público do Maranhão estão colocando em xeque a credibilidade do Parquet, a sociedade já tem a percepção da obsessão da família Brandão pelo poder e conhece como funcionam as linhas auxiliares dessa engrenagem.
