sábado, 31 janeiro, 2026

A declaração do deputado “ponta de lança” do governo na Assembleia Legislativa enquanto participava do Podcast Café Quente, de Rogério Cafeteira, traz à tona um sentimento silencioso que está presente entre os aliados fora do núcleo familiar do governo, a incerteza da viabilidade do projeto da família Brandão.

Ao declarar que não pode ir contra o seu eleitorado e que existe a possibilidade real dele não apoiar a candidatura do filho de Marcus Brandão para o governo do Estado, Yglesio deixa claro que a defesa ufanista que faz na tribuna não passa de conveniência e sobrevivência política, por sinal, características que já são peculiares da sua personalidade.

É senso comum que deputados como Yglesio e Mical Damasceno possuem seus acordos com o governador, acordos estes que envolvem cargos, emendas, institutos, muitos favores, não há dúvidas de que são bem remunerados para o que se sujeitam a fazer.

É aquela velha história de juntar fome com a vontade de comer.

No campo ideológico, Yglesio é um recém-convertido no bolsonarismo, que precisa a todo custo se afirmar e se auto validar diariamente. É essencial para ele atacar o STF, assim passa a impressão de que tem estatura para brigar lá em cima, uma espécie de Nikolas Ferreira provinciano, e o seu principal palanque é a tribuna do paramento.

Uma coisa é certa, a declaração de Yglesio deixa claro que a incerteza da classe política em relação ao grupo Brandão é real, principalmente depois da humilhação de perder o comando do PSB, sentado na cadeira de governador. Ainda mais agora, com o aumento dos rumores do seu afastamento por conta de denúncias envolvendo corrupção, nepotismo entre outros mais assombrosos.

E como comecei o texto fazendo uma referência ao futebol, vocês se lembram daquela declaração do Vampeta numa época de crise no Flamengo, onde ele disse “eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”? Essa frase acabou virando um adágio popular que inclusive reflete o sentimento da classe política maranhense que tem sido pressionada para fazer acordos de caixeiros viajantes com o nome no caderninho de parcelas.

Enquanto isso, o tempo do gpvernador Carlos Brandão está acabando, seja pelos rumores de afastamento, por sua possível renúncia para concorrer ao senado e também se decidir ficar até o final do mandato. No total ele tem apenas um ano e três meses como governador e se ainda achar que a melhor possibilidade é eleger o parente para garantir o poder da família, é bom nem contar muito com o deputado Yglesio Moisés, afinal, depois dessa declaração, só resta saber se o coronel vai passar o rodo logo ou usar mais um pouco o seu ponta de lança na Assembleia.

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