quinta-feira, 24 setembro, 2026

Reportagem da Folha de São Paulo revela que a Polícia Federal pediu em duas oportunidades o afastamento de Carlos Brandão (MDB), no âmbito de investigações de uma provável organização criminosa comandada pelo governador do Maranhão.

O primeiro pedido foi apresentado quando o inquérito estava sob responsabilidade do ministro Humberto Martins, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que sequer se manifestou sobre o pedido. Em julho de 2025, segundo a reportagem, a PF sustentou que o afastamento seria necessário para interromper as supostas práticas investigadas, mas esse também não teve resposta. 

Quando os inquéritos chegaram ao Supremo Tribunal Federal, a partir da suspeita da atuação do senador Weverton Rocha que teria intercedido junto ao ministro Humberto Martins para que o processo ficasse parado.

A Polícia Federal identificou comunicações entre Weverton e o ministro e afirmou ter encontrado diálogos relacionados a encontros e processos sob a relatoria do magistrado. Weverton rejeitou a suspeita justificando que era adversário de Brandão na época do crime, porém, o governador e o senador voltaram a ser aliados antes do caso subir para o STJ em 2025.

O conteúdo revelado pela Folha mostra que as suspeitas investigadas são amplas. Segundo PF, CGU e elementos originados no Coaf, o caso envolve possíveis crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, licitações dirigidas, corrupção passiva, organização criminosa e assassinato. A investigação aponta ainda suspeitas de desvio de recursos públicos e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o faturamento declarado de empresas relacionadas ao grupo familiar de Brandão. 

A Operação Monte Sinai, deflagrada pela PF em agosto, apura organização criminosa, fraudes em licitações, desvio de recursos, lavagem de dinheiro, ocultação de ativos e crimes tributários, além de possíveis irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares e precatórios da educação. 

Agora, parte das medidas está sob análise de Flávio Dino no STF. O ministro já adotou providências contra outros investigados: afastou Daniel Brandão, sobrinho do governador, da presidência do TCE-MA por 180 dias, e, em outro desdobramento, determinou prisão domiciliar e afastamento de Raimundo Cutrim do governo do estado. 

Mas, segundo a reportagem publicada pela Folha, Dino ainda não havia se manifestado sobre o pedido da PF para afastar Carlos Brandão. 

Enquanto isso, Brandão segue desesperado e tentando a todo custo eleger o sobrinho para que o Estado do Maranhão continue sob os domínios da sua família.

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