domingo, 27 setembro, 2026

A reta final da eleição para o Governo do Maranhão coloca o presidente Lula no centro de uma disputa aparentemente contraditória segundo levantamento qualitativo realizado pelo instituto luneta.

No levantamento qualitativo que cruza a preferência para governador com a identificação entre Lula e Bolsonaro, 66,47% dos eleitores de Eduardo Braide se identificam mais com Lula, contra 20,44% com Bolsonaro. O dado sugere uma forte sobreposição entre o eleitorado do candidato do PSD e o campo lulista, apesar de Braide ter recusado uma aliança formal com o PT. Ao mesmo tempo, sua chapa inclui Lahesio Bonfim (Novo) para o Senado, político identificado com a extrema direita e tem apoio dos Bolsonaro e diz abertamente que se for eleito vai ficar contra o presidente Lula.

O caso de Orleans Brandão também revela uma disputa intensa pelo eleitorado presidencial. Segundo o levantamento, 48,63% dos eleitores de Orleans dizem se identificar mais com Lula, enquanto 40,41% apontam Bolsonaro. A campanha de Orleans tem buscado aproximação com o eleitor lulista, mas é importante separar discurso eleitoral de apoio formal, até porque esse apoio propagado como verdade pela campanha de Orleans não se sustenta, o candidato do MDB não tem uma declaração do presidente dando apoio a sua candidatura. Além disso, a origem da sua família que é toda ligada ao agro, campo majoritariamente bolsonarista e isso explica o percentual de 40% do seu eleitorado ser simpatizante da direita.

Assim, alegações de que Orleans seria o candidato apoiado por Lula precisam ser confrontadas com os registros públicos da campanha e com as declarações do próprio presidente. 

É justamente Felipe Camarão quem apresenta a associação mais direta com Lula. No levantamento, 90,38% dos eleitores de Camarão se identificam com Lula, enquanto apenas 5,77% se identificam com Bolsonaro. E, diferentemente dos demais candidatos, Lula já declarou apoio a Camarão e está aparecendo ao lado em fotos, cartazes, vídeos e pode vir ao Maranhão nessa semana para consolidar o crescimento de Felipe e Eliziane Gama nas pesquisas. Essa associação explica o crescimento de Felipe Camarão nessa reta final como o candidato que mais cresceu entre os concorrentes na última pesquisa Quaest divulgada pela TV Mirante.

A pesquisa qualitativa, portanto, ajuda a explicar por que a influência de Lula pode ser um fator relevante nesta última semana, mas não permite concluir, sozinha, que ele determinará o resultado. O dado mais expressivo é que o eleitor lulista aparece distribuído entre candidaturas diferentes: está fortemente presente entre os eleitores de Braide e Orleans, embora o apoio público documentado de Lula esteja com Camarão. A questão decisiva da reta final é saber em que medida esses eleitores separarão suas escolhas para presidente e governador ou levarão em consideração o apoio explícito de Lula ao definir o voto estadual. É esse movimento — mais do que qualquer conclusão automática a partir do cruzamento — que poderá alterar a configuração da disputa até o dia da votação, mas uma coisa é certa, nesse cenário de influência direta do presidente Lula, Felipe Camarão é o que leva mais vantagem.

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