sexta-feira, 17 abril, 2026

O governador Carlos Brandão emitiu nota oficial no início da tarde deste 22, sobre os áudios divulgados inicialmente pelo deputado Yglésio Moysés e as manifestações dos deputados Rubens Jr e Marcio Jerry sobre o mesmo assunto.

Num tom de declaração de guerra contra todos (menos o presidente Lula), o governador simplesmente nega ter feito ou ordenado “gravações clandestinas de aliados” e atribui a crise a uma “divisão” plantada no estado. O documento é a primeira reação formal do chefe do Executivo às graves acusações, inclusive de traição, feitas pelo deputado federal Rubens Júnior (PT).

Brandão inicia a nota afirmando seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “sob qualquer circunstância”, mas imediatamente estabelece um conflito local e sai disparando contra todos, inclusive aliados de ontem e de anteontem.

Ele acusa diretamente o “governo que o antecedeu” (sem citar nominalmente o ex-governador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino) de querer “permanecer no comando da gestão para a qual fui eleito”. Segundo o governador, sua reação ao impor limites a essa ingerência gerou uma reação “insana, agressiva, utilizando-se até de chantagens e barganhas nada republicanas”, isso ainda sobre o “governo que o antecedeu”.

Geração espontânea X gravação espontânea

A explicação mais contundente e anti darwiniana de Brandão diz respeito à origem dos áudios que viralizaram. Ele nega categoricamente que seu governo tenha realizado as gravações. A justificativa apresentada é que os próprios opositores “se fizeram gravar”. De acordo com a nota, eles “numa exibição de intimidade com outras forças, falavam abertamente, a quem quisesse ouvir e, eventualmente, até gravar”.

A declaração levanta questionamentos sobre como o governador teria acesso a conversas que, por sua própria descrição, eram privadas, se não por meio de terceiros que as registraram. Também não explica que “outras forças” são essas, que os gravados demonstravam intimidade.

Brandão detalha um episódio específico para embasar sua versão. Afirma que o deputado Rubens Júnior teria lhe feito uma “oferta”: apoio a uma candidatura de interesse do deputado Márcio Jerry em troca da liberação de vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE). O governador alega que o próprio deputado confirmou esse fato em tribuna da Câmara dos Deputados.

O governador se refere ao deputado Rubens Jr como sendo um representante de algum outro lado que não seria o do próprio governador, sendo que todos tinham o deputado petista como aliado direto e fiel do governador, assim como o pai dele, que ocupava uma secretaria estratégica no governo do estado.

Por fim, a nota afirma que os envolvidos agora “temem os efeitos dessa exposição vexatória a que se submeteram”. A argumentação tenta inverter o foco da acusação de espionagem para a suposta inconveniência do conteúdo das conversas gravadas, que, segundo Brandão, expuseram “nomes de outros níveis de poder”.
A nota do governador não apresenta provas ou detalhes técnicos que comprovem sua tese de que os opositores “se fizeram gravar”, deixando em aberto as questões centrais sobre a autoria e a legalidade da obtenção dos áudios.

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