Na reta final do mandato, Carlos Brandão está à beira do precipício e não consegue esconder o desespero.
Totalmente ignorado por Lula e sem mais nada a oferecer depois que rompeu o acordo com o próprio presidente que abriria caminho para Felipe Camarão, mas escolheu o lado da ganância e da traição, permaneceu no Palácio dos Leões e apostou suas fichas na candidatura do sobrinho para desesperadamente tentar perpetuar a sua família no poder. O movimento aprofundou o rompimento com o grupo petista. Agora, enquanto Lula se posiciona claramente ao lado de Camarão na disputa estadual, com vários vídeos, fotos, gestos e agendas, Brandão tenta enganar os maranhenses com um vídeo cheio de fotos antigas e repetidas tentando passar uma proximidade com o presidente que não existe mais.
Sem uma declaração de Lula pedindo votos para Orleans, a exploração da imagem presidencial tornou-se uma arma eleitoral enganosa. O objetivo político é evidente: transmitir ao eleitor a sensação de que Lula estaria com Brandão e seu candidato.
A mentira já provocou disputa na Justiça Eleitoral justamente porque uma coisa é manter relação institucional com o governo federal, outra, completamente diferente, é transformar fotografias, encontros oficiais do passado em peças de comunicação em combustível para sugerir um apoio eleitoral que Lula negou veementemente ao sobrinho e ao próprio governador.
E o relógio corre contra Brandão. Faltam 3 dias para as eleições e 3 meses para o fim do mandato, o governador tenta desesperadamente eleger seu sobrinho, já mentiu, fez empréstimo bilionário, perseguiu adversários, está coagindo funcionários e nada faz seu sobrinho passar dos 30% em pesquisas sérias.
Sem falar que o governador ainda enfrenta o desgaste de uma investigação da Polícia Federal na qual a própria PF chegou a pedir seu afastamento por ele ser o líder de uma provável organização criminosa que atua para desviar recursos do governo do Maranhão.
É nesse cenário de pressão que Brandão tenta se agarrar no bote salva vidas de Lula, para tentar aliviar a sua agonia.
Mas a ironia política é incontornável: depois de fechar a porta para o vice petista assumir o governo e cumprir a palavra dada ao presidente, Brandão se humilha agora tentando se agarrar na imagem do principal líder do Brasil, mas esse desde outubro do ano passado quando disse para o próprio Brandão dentro do carro indo entregar 3000 mil casas em Imperatriz, que esse negócio de sobrinho não daria certo e que era melhor ele cumprir o acordo.
Mas Brandão, se achando o todo poderoso do Maranhão, ignorou mais uma vez o pedido do presidente Lula.
Já dizia aquele velho ditado popular, “cabeça que não pensa, o corpo parece”.
