sexta-feira, 2 outubro, 2026

Felipe Camarão chega à reta final da eleição como um dos personagens centrais da disputa pelo Governo do Maranhão. O acordo político construído em 2022 previa que, após apoiar Carlos Brandão, Felipe seria o candidato do grupo à sucessão estadual.

O governador tomou outro caminho e decidiu apoiar o sobrinho, Orleans Brandão, provocando o rompimento. O movimento que pretendia enfraquecer Camarão, porém, ao longo do tempo, veio produzindo um cenário bem diferente do Marcus Brandão projetou.

Felipe foi muito desacreditado, quiseram torná-lo invisível no processo eleitoral, assim como tratam o povo maranhense, que só é procurado na semana da eleição para dar um agrado e votar. 

Agora, a família Brandão enfrenta justamente aquilo que tentou evitar: um Felipe Camarão competitivo e com espaço para crescer.

O caminho até aqui foi marcado por uma intensa tentativa de desgaste político. Durante meses, repetiram que Felipe não seria candidato, que Lula não o apoiaria e que sua candidatura não conseguiria avançar. Camarão resistiu.

Evitou abandonar o projeto diante das pressões, manteve sua candidatura e passou a apresentar ao eleitorado sua trajetória como professor, advogado, procurador federal e ex-secretário de Educação. O apoio explícito de Lula e a maior exposição durante a campanha deram a ele uma oportunidade de confrontar diretamente a narrativa de que estaria isolado. Seu desempenho nos debates também ampliou sua visibilidade justamente quando uma parcela maior do eleitorado passou a acompanhar a eleição.

É por isso que o crescimento de Felipe tem um significado político que ultrapassa sua própria candidatura. Depois de ter sido preterido no acordo sucessório, ele chega aos últimos dias da campanha disputando espaço enquanto Lula pede votos para sua candidatura. 

Se esse movimento eleitoral continuar e Camarão alcançar o segundo turno, o resultado representará uma dura consequência política para a estratégia adotada por Brandão: o candidato que deveria ter sido retirado do caminho terá sobrevivido, crescido e chegado à fase decisiva enfrentando justamente o projeto familiar escolhido para substituí-lo.

A palavra final pertence ao eleitor, mas uma coisa a campanha já demonstrou: Felipe Camarão resistiu quando muitos apostavam que ele sequer chegaria até aqui.

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