A derrota de Carlos Brandão nas urnas foi além do fracasso da candidatura do sobrinho ao governo do Maranhão. Apesar de toda a estrutura política e administrativa mobilizada durante a campanha, o governador conseguiu eleger, de fato, apenas um deputado federal para chamar de seu: Vinícius Ferro. Já na Assembleia Legislativa, ficou sem nenhum parente direto, o que, aliás, era uma marca de seu governo. No entanto, conseguiu eleger aliados obedientes, como Thiago Fernandes, Júnior Viana e Gleydson Resende, que conquistaram seus mandatos usando a força do governo. Os demais parlamentares, sem compromisso direto com Brandão, precisam tentar preservar seu espaço político junto ao novo governador, mas não devem esticar a corda.
O grupo aposta na força dos 17 deputados eleitos pelo MDB para tentar manter influência sobre o comando da Assembleia. A estratégia parece inspirada na pressão exercida por vereadores sobre Eduardo Braide quando assumiu a Prefeitura de São Luís sem maioria na Câmara Municipal. A ligação desses parlamentares com diversas prefeituras do interior seria um instrumento adicional de negociação. Mas há uma diferença fundamental: o peso político de Braide e o modelo de gestão que apresentou como bandeira de campanha. Nesse cenário, deputados que exerciam influência direta sobre áreas como a saúde, por exemplo, devem enfrentar grandes dificuldades no novo governo.
Nos bastidores, chegou a circular a possibilidade de uma articulação envolvendo os 17 deputados do MDB e parlamentares do PL para lançar Gleydson Resende à presidência da Assembleia. A movimentação, entretanto, enfrenta obstáculos grandes, como a relação com o irmão do atual governador.
Entre os nomes efetivamente cotados para a presidência estão Leandro Bello e Neto Evangelista. Bello reúne a boa relação com Fernando Braide, o trânsito político em Brasília e o histórico de oposição firme ao governo Brandão. Já Neto Evangelista carrega um vínculo político importante com Eduardo Braide desde 2020, quando abraçou sua candidatura à Prefeitura de São Luís no segundo turno. Porém, também carrega o peso de ter sido líder do governo Brandão na Casa.
Outro nome que surge nas articulações é Antônio Dino, considerado próximo de Braide e dono de um perfil técnico, características que podem facilitar a construção de uma maioria parlamentar.
No fundo, a disputa pela Assembleia será também um teste da capacidade de sobrevivência política do grupo Brandão. Os deputados que embarcaram no projeto derrotado do governador agora procuram um bote salva-vidas, mas dificilmente terão força para impor ao novo governo o mesmo comando político que exerciam antes.
