quarta-feira, 4 março, 2026

O cenário desolador lembra um filme de faroeste. Criação de búfalos pisoteando os campos alagáveis de Anajatuba; terras cercadas por arame farpado indicando que há dono; pescadores medindo as palavras com receio de serem mal interpretados. Não é filme. É bem real.

No mês de novembro de 2025, o governador do Maranhão anunciava a conclusão do asfaltamento da estrada de Anajatuba até o Rio Mearim. Demorou quase um ano para asfaltar 15 km. Nesse mesmo anúncio, dois outros anúncios: um complementar e um suplementar. O complementar: a execução das obras da estrada das margens do Mearim até a sede de São João Batista, dando continuidade às obras em Anajatuba. A suplementar: a construção de um terminal que supunha-se que seria um terminal de espera para as pessoas que desejassem atravessar o rio na balsa.

Três meses de anúncio e o terreno não recebeu nenhuma intervenção e não se tem notícias das obras em São João Batista. O terreno às margens do Mearim em Anajatuba virou mais uma oficina onde se monta a balsa. A montagem segue vagarosa. Não que seja um problema. A baixada esperou décadas por essa estrada; então porque a baixada não esperaria mais uns meses pela construção de dois terminais?

Para bom entendedor meia palavra basta. Meros detalhes no planejamento estatal. “Não se apresse porque não estamos apressados”.

Mayron Borges é jornalista, ambientalista e presidente do Fórum Carajás

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