A declaração do governador Carlos Brandão durante entrevista ao jornalista John Cutrim, na celebração dos 75 anos do Jornal Pequeno, de que estaria arrependido de não disputar uma vaga ao Senado em 2026, caiu como uma confissão pública das incertezas que cercam a formação da chapa brandopetista. A fala expôs um cenário de instabilidade política, dificuldades de articulação e falta de definição dentro do grupo comandado pelo Palácio dos Leões.
Aliados já admitem que o governador enfrenta um desgaste crescente após o afastamento político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que já declarou apoio ao Felipe Camarão em virtude do não cumprimento do acordo político firmado ainda em 2022, quando Brandão recebeu apoio decisivo do campo lulista para consolidar sua eleição.
A indefinição sobre a chapa majoritária é vista por lideranças políticas como um dos maiores sintomas da fragilidade do grupo governista. Faltando pouco tempo para as convenções partidárias, Brandão ainda não conseguiu consolidar os dois nomes ao Senado nem encontrar consenso em torno da vaga de vice-governador. O impasse revela dificuldades de coordenação política e amplia a sensação de insegurança dentro da própria base.
A prioridade declarada do governador em viabilizar a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão, também é apontada como fator de desgaste. Ao concentrar esforços na construção do projeto familiar, Brandão passou a acumular promessas políticas para grupos distintos e rivais entre si, criando um ambiente de disputa interna por espaços limitados.
Entre os nomes que pressionam por espaço está a ex-governadora Roseana Sarney, cuja eventual presença reforçaria o peso das tradicionais oligarquias na composição governista. Setores ligados ao grupo Brandão resistem à hipótese justamente por avaliarem que a chapa já sofre críticas pelo caráter familiar com a presença do sobrinho do governador como pré-candidato.
Outro compromisso político considerado delicado envolve o senador Weverton Rocha, que atua como uma espécie de relações públicas do governo em Brasília. O parlamentar enfrenta um desgaste gigantesco após ter seu nome associado ao debate nacional sobre fraudes envolvendo aposentadorias do INSS, tema explorado por adversários nos bastidores da pré-campanha é motivo de extrema preocupação do senador que já declarou que não tem tanta certeza do apoio do presidente Lula a sua reeleição e que vai conversar com ele para definir de fato o seu futuro.
Além disso, Brandão ainda precisa administrar a crise interna na federação União Progressista, que reivindica participação direta na chapa. A disputa entre Pedro Lucas Fernandes e André Fufuca por uma das vagas ao Senado ampliou ainda mais a dificuldade de acomodação política.
Outro problema que se tornou evidente: a dificuldade de encontrar um nome disposto a assumir a vaga de vice na eventual candidatura de Orleans. Lideranças como Maura Jorge e Iracema Vale avaliam que existe receio de ficarem politicamente isoladas durante quatro anos e posteriormente serem descartadas em favor de outro integrante da família Brandão no futuro.
Enquanto isso, a sucessão estadual segue cada vez mais imprevisível. Orleans enfrenta dificuldades para consolidar competitividade diante do favoritismo do prefeito Eduardo Braide nas pesquisas e do crescimento de Felipe Camarão com o apoio direto do presidente Lula, que inclusive foi reconhecido pelo próprio Brandão na entrevista.
A expectativa de aliados e adversários é que a disputa pelo governo caminhe para um segundo turno altamente competitivo e em meio às incertezas, a fala de Brandão sobre o arrependimento de não disputar o Senado acabou sendo interpretada como um sinal de preocupação com o futuro do seu grupo político.
O governador sabe que corre o risco de encerrar sua trajetória administrativa sob forte desgaste, pressionado por denúncias, investigações e sucessivos conflitos internos dentro da própria família e da base governista.
Falta de aviso não foi.
