segunda-feira, 9 fevereiro, 2026

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) divulgou uma nota oficial negando qualquer conexão com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura central no esquema de desvios de recursos da Previdência. A declaração foi uma resposta a reportagem que flagrou o parlamentar desembarcando do mesmo jatinho usado pelo lobista.

A aeronave, um Beech Aircraft F90 de prefixo PT-LPL, pertence ao advogado Erik Marinho, que defende Antunes no Supremo Tribunal Federal (STF). Imagens obtidas pelo site Metrópoles mostram o senador saindo do avião em Brasília nos dias 1º e 15 de outubro. Documentos indicam que o “Careca do INSS” utilizou o mesmo jatinho em pelo menos duas ocasiões em 2024, em fevereiro e julho, voos que já eram monitorados pela Polícia Federal.

Em sua nota, Weverton Rocha lamentou o que classificou como tentativa de vincular seu nome ao caso. O parlamentar afirmou que seus deslocamentos ocorrem com normalidade e contestou o uso do termo “flagrado”, sugerindo que a palavra revela mais sobre a intenção do repórter do que sobre suas viagens. Ele reiterou seu descontentamento com o que chamou de campanha de difamação baseada em suposições.

O proprietário da aeronave, o advogado Erik Marinho, confirmou que tanto o senador quanto o lobista utilizaram o avião, mas atribuiu a coincidência à disponibilidade da aeronave. Weverton Rocha disse que utiliza o jatinho como “carona” e negou ter viajado na companhia de Antônio Antunes.

A reportagem traz ainda novas conexões que ampliam o cerco em torno do senador. Gustavo Marques Gaspar, empresário e ex-assessor de Weverton, concedeu procuração a Rubens Oliveira Costa, identificado como o “homem da mala” do “Careca do INSS”, para movimentar recursos de sua empresa. Documentos também mostram que Antunes colocou à venda um veículo registrado em nome de Gustavo Gaspar, reforçando os indícios de vínculos entre o grupo investigado e pessoas próximas ao parlamentar.

Diante dos fatos, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga o esquema do INSS pode incluir os novos desdobramentos em suas investigações. O senador maranhense, no entanto, mantém a posição de negar qualquer participação ou ligação com o esquema de desvios.

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