O Banco do Brasil autorizou um empréstimo bilionário para o governo Carlos Brandão na reta final do mandato, em pleno ano eleitoral e num momento em que seu sobrinho, Orleans Brandão, disputa a eleição. A operação chama atenção pelo volume de recursos e pelo contexto político em que ocorre, justamente quando a gestão estadual é acusada por adversários de mobilizar a estrutura governamental em favor da candidatura do sobrinho.
A liberação ocorre também em um cenário eleitoral desfavorável para Orleans. Segundo a última pesquisa Quaest, o sobrinho do governador aparece 19 pontos atrás do primeiro colocado, aumentando a pressão sobre o grupo governista para tentar reverter o quadro até as urnas.
Nesse ambiente, qualquer instituição financeira agiria com mais critério e responsabilidade diante da existência de centenas de obras paralisadas em diferentes municípios maranhenses, conforme inúmeras ações e reportagens. Antes de assumir uma nova dívida bilionária, é necessário explicar de maneira transparente onde serão aplicados os recursos, quais projetos serão financiados, qual será o cronograma de execução e que impacto o financiamento deixará para os próximos governos, mas infelizmente nada disso feito.
A operação torna-se ainda mais sensível diante das investigações da Polícia Federal que envolve integrantes do governo e que atribui a Brandão a condição de possível líder de uma organização criminosa que atua desviando recursos públicos no Maranhão.
Em um cenário como esse, um empréstimo bilionário no fim do mandato e às vésperas de uma eleição com o sobrinho do governador na disputa deveria ser encarada de forma muito mais criteriosa por uma instituição como o Banco do Brasil.
