segunda-feira, 8 dezembro, 2025

Aurá, considerado o último sobrevivente de um povo indígena isolado do estado do Maranhão, morreu no último sábado, 20, aos 77 anos. A informação foi confirmada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O indígena, que sofria de insuficiência cardíaca e respiratória, faleceu no município de Zé Doca. Sua morte representa o fim simbólico da trajetória de um grupo étnico que se manteve em isolamento voluntário até ser contatado nas décadas finais do século XX.

A história de contato de Aurá com o mundo exterior começou em 1987, quando ele e seu irmão, Auré, foram avistados pela primeira vez. Eles eram os únicos remanescentes conhecidos de um povo que falava uma língua derivada do tronco tupi-guarani. Após o contato, os irmãos tiveram oportunidade de interagir com outros grupos indígenas da região, como os Parakanã, Assurini, Tembé e Awá-Guajá. No entanto, optaram por manter-se em relativo isolamento, rejeitando a comunicação mais profunda com outras comunidades.

Com a morte de Auré, em 2014, Aurá tornou-se o último representante de sua cultura. Ele passou a viver sozinho na aldeia Cocal, localizada dentro da Terra Indígena Alto Turiaçu. Seu estado de saúde era acompanhado periodicamente por equipes do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Maranhão e da Frente de Proteção Etnoambiental Awá, unidade da Funai especializada na proteção de indígenas isolados.

Em nota oficial, a Funai lamentou o falecimento de Aurá. A fundação afirmou que o caso “reforça o compromisso de seguir com o trabalho de proteção e valorização dos povos indígenas, especialmente aqueles em situação de isolamento voluntário ou de recente contato”. A extinção de um povo, ainda que simbólica, joga luz sobre os desafios de proteção e preservação da diversidade sociocultural no país.

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