Denúncia grave apresentada pelo candidato Felipe Camarão levou ao conhecimento da Polícia Federal e do Tribunal Regional Eleitoral evidências do uso do dinheiro público para sustentar a campanha digital de Orleans. Muitos dos perfis foram criados e alimentados dentro das próprias secretarias de Estado por funcionários públicos, dentre os quais estaria a SEGOV e outras pastas que já estão sob investigação.
Investigação judicial aponta estrutura empresarial que começou a operar meses antes do período eleitoral legal, combinando perfis anônimos, 14 secretários estaduais e influenciadores digitais estruturando o que a campanha do candidato Orleans Brandão batizou de “Rede Orleans”.
Segundo a investigação na Justiça Eleitoral o funcionamento e o modo de operação da chamada “Rede Orleans” é um aparato digital profissionalizado montado para impulsionar a candidatura do sobrinho do governador Carlos Brandão, articulada em três frentes complementares: o uso sistemático de centenas de perfis apócrifos no Instagram, a participação coordenada secretários e dirigentes do governo e a contratação de influenciadores digitais para dar verniz de espontaneidade a atos e ações de campanha.
De acordo a investigação que corre na Justiça eleitoral, o esquema produziu conteúdo em volume industrial muito antes de 16 de agosto de 2026, marco temporal que autoriza a propaganda eleitoral. A produção, edição diária e distribuição massiva de material por centenas de contas ao longo de pelo menos seis meses envolveram um elevado custo de mercado que não foi declarado à Justiça Eleitoral.
A engrenagem dos influenciadores digitais
A Justiça já identificou que atuação dos influenciadores digitais foi desenhada para replicar a tática da milícia digital do Orleans Brandão: transformar propaganda política e atos institucionais em publicações apresentadas ao público como manifestações orgânicas, sem qualquer sinalização de publicidade eleitoral ou identificação de quem custeou a contratação.
O caso de criadores de conteúdo como Bianca Magalhães é citado como padrão na construção da “Rede Orleans”. Nesses episódios, influenciadores atuavam como apresentadores de eventos e das realizações do governo do tio do candidato em vídeos com edição refinada, legendas profissionais e identidade visual unificada.
As contratações incluíam a gravação dos conteúdos e o impulsionamento deliberado para as audiências dos próprios influenciadores, culminando em postagens em colaboração nativa (collab) com as páginas anônimas da “Rede Orleans”, ampliando artificialmente o alcance da campanha à margem da fiscalização da Justiça Eleitoral.
A investigação já possui dados que demonstram que a estrutura não se limitou a anônimos e criadores da internet, mas foi integrada diretamente pela cúpula do Poder Executivo estadual. A partir da coleta e auditoria de 3.578 publicações extraídas das redes de 14 secretários e dirigentes de órgãos do Estado, aplicou-se um cruzamento de dados com o acervo da Rede Orleans.
A milícia digital em números
A apuração da Justiça identificou a existência de 1.720 publicações coordenadas envolvendo 386 perfis distintos, dos quais 229 figuram como autores das peças. A densidade da organização revela padrões incompatíveis com manifestações espontâneas de cidadãos:
– 647 publicações reuniram simultaneamente dois perfis no formato “cidade + comorleans”;
– 430 publicações contaram com a participação conjunta de três perfis da rede;
– 318 publicações envolveram quatro perfis nominais em colaboração;
– 219 publicações tiveram cinco contas atuando de forma associada;
– 106 publicações reuniram seis páginas simultâneas – exigindo seis aceites individuais e sincronizados em contas diferentes para veicular uma única postagem.
